No dia 28 de abril, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável realizou sua Assembleia Geral Ordinária anual para apresentação dos resultados de 2025 e eleição de 1/3 do Conselho Diretor. Como parte da programação, também promoveu um diálogo especial sobre como escalar a tecnologia como ferramenta para rastreabilidade, monitoramento ambiental e gestão de risco.
Jeysa Meneses, gerente de Soluções ESG e Monitoramento Agro da Serasa Experian, abriu o diálogo apresentando uma análise sobre o uso de sensoriamento remoto aplicada à gestão territorial na pecuária. A apresentação destacou que, diante do aumento das exigências por transparência, conformidade socioambiental e produtividade, a tecnologia passou a ocupar papel central na atividade, conectando produção, sustentabilidade e mercado. Nesse contexto, a consolidação de dados provenientes de georreferenciamento, imagens de satélite e bases públicas tem elevado o nível de assertividade na análise de risco, além de ampliar a confiança ao longo de toda a cadeia.
A partir de estudos realizados, a Serasa Experian evidenciou que uma parcela significativa das propriedades analisadas já se encontra em conformidade com as exigências socioambientais de mercado, indicando que ainda existem desafios, mas o problema não é homogêneo e pode ser tratado de forma direcionada. A apresentação também reforçou a diferença entre análises estratégicas e monitoramento contínuo, este último essencial para validar operações no momento da compra e venda, além de destacar que a existência de caminhos técnicos para regularização e reintegração de produtores. Nesse sentido, o avanço da agenda passa não apenas pela disponibilidade de tecnologia, mas pela sua aplicação prática, integração de sistemas e maior clareza na comunicação com o produtor rural.
Após a apresentação, Jeysa mediou um debate com a participação de representantes das organizações associadas da Mesa Brasileira: Marie Terrisse, da Arcos Dorados; Thiago Rocha, da FAESP; Maria Silvia Chicarino, do Santander; Leonel Almeida, da MBRF; Francisco Beduschi, da NWF; e Delair Bolis, da MSD Saúde Animal.
O debate evidenciou que o principal desafio da pecuária brasileira não está mais na geração de tecnologia, mas na sua integração e aplicação prática nas diferentes realidades produtivas do país. A rastreabilidade, quando conectada à gestão, ao crédito e ao monitoramento ambiental, deixa de ser apenas uma exigência e passa a atuar como ferramenta estratégica para organização da cadeia, acesso a mercado e mitigação de riscos. Os participantes também destacaram a importância de simplificar processos, integrar informações e ampliar o diálogo com os produtores rurais, considerando a diversidade de perfis e biomas existentes no Brasil.
Ao longo das discussões, também ganhou força a necessidade de construir uma narrativa mais conectada à realidade da pecuária brasileira, baseada em dados confiáveis, critérios claros e convergência técnica entre os diferentes elos da cadeia. Nesse contexto, a Mesa reforçou seu papel como articuladora desse processo, promovendo diálogo multissetorial, construção de consensos e compartilhamento de conhecimento para transformar desafios em caminhos práticos para o setor.








